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Instituto René Guénon de Estudos Tradicionais
Autores Tradicionais
(
Esclarecimentos)
                   Pouco tempo após o aparecimento de nosso site na Internet, há quase quinze anos, passamos a receber inúmeras solicitações ou restrições a propósito de alguns autores tradicionais e, em especial, sobre o rumoroso e suposto affaire Schuon nos Estados Unidos. Condenaram-nos o pouco destaque a este ou aquele autor ou o excessso de espaço concedido a Guénon. Recebemos muitos "documentos" e "relatórios" , favoráveis ou contrários a este ou aquele nome, em sua maior parte vindos da Rússia, França e Estados Unidos.

                Não temos por objetivo desperdiçar esforços investigando lutas intestinas que
se verificam entre numerosos "herdeiros" autoproclamados da autoridade espiritual de
René Guénon desde sua morte em 1951.
Para o IRGET, está fora de discussão as pretensões inteiramente descabidas de alguns ou muitos de "suceder" ou "herdar" a autoridade espiritual de René Guénon, cuja estatura, no Ocidente moderno, nunca foi igualada e menos ainda superada.

        A morte de Guénon colocou à prova muitos daqueles que se beneficiaram de sua obra e influência ; poucos, no entanto, tiveram a grandeza de honrá-lo, como o fez - por exemplo- Michel Vâlsan.  Outros, na Europa e EUA, fingiram reconhecimento para buscarem transferir a si a Autoridade Tradicional da qual Guénon foi intermediário, e, com isso, exercerem vaidade e poderes.

        O IRGET, desde o ponto de vista de estudos teóricos orientados pela obra de Guénon, jamais reconheceu em Schuon (falecido em 1998 ) uma legítima autoridade espiritual, o que não nos impede de considerar o valor de alguns de seus livros ou ensaios, no todo ou em parte
(1); cabe ressaltar que teriam sido, aliás, inteiramente inviáveis sem a existência da obra René Guénon.

         Recebemos em nossa casa, há mais de quinze anos, um jovem emissário do grupo de seguidores de F. Schuon, que veio nos "esclarecer" e convidar a participar de um
grupo de estudos "democrático", isto é, sem direção ou hierarquia. Sem muita nuance, explicou-nos amavelmente que Guénon "já havia cumprido seu papel" , isto é, desbravado a "trilha inicial com imperfeições e alguns buracos" que , "felizmente, já há décadas, havia se transformado, sob a liderança de Schuon, numa ampla estrada". Os argumentos que
nos trouxe nesta visita, ainda frescos de sua mais recente viagem aos Estados Unidos (sobre as tais "imperfeições e buracos"), no âmbito de nossa biblioteca, foram rebatidos
um a um, recebendo em mãos, no ato,  todos os trechos de livros por ele erroneamente citados, em francês (os originais de Guénon e Schuon , cuja língua não dominava), inglês e português. Após esta fase, digamos, profilática, o emissário pode constatar que, ao contrário do que afirmara, a tradução de Fernando Guedes Galvão para o livro de Schuon "Da Unidade Transcendente das Religiões" (Martins Editora, São Paulo, 1953) não continha nenhum dos erros por ele alegados; indicamos, no original em inglês de um livro de William Stoddart, a sucessão de, digamos, imprecisões doutrinais cometidas por este autor pertencente ao grupo Schuon, e a quem o jovem tanto admirava; mostramos ainda um livro de Rama Coomaswaramy, outro seguidor de Schuon, onde o Cristianismo era defendido ardorosamente como a única religião verdadeira no mundo, o que nos dispensa maiores comentários. O emissário, vendo seus argumentos se evaporarem inapelavelmente, ficou trêmulo e, aos gritos de "só Jesus pode julgar!" (mas... o que dizer da tal "trilha esburacada" ?),  nos deixou, ao acompanhante que levou consigo, a mim e à minha esposa, estupefatos. 

        Sequer merecem comentários , a nosso ver, as propaladas "adaptações", confortáveis e  circunstanciais, dos ritos islâmicos e os ditos "sincretismos" (há testemunhos de danças representanto o "estado edênico" com todos os participantes nus) envolvendo diferentes formas tradicionais, que teriam sido, segundo relatos em livros e na própria Internet,  levados a cabo por Schuon e seu grupo de seguidores.

        Nos apontam, no entanto, a adesão e mesmo a liderança de Nasr no grupo fundado por Schuon com a morte deste, assim como, ao contrário, o alegado afastamento de Rama Coomaraswamy.

        Quanto à Nasr, continuamos a considerar a parte que conhecemos de sua vasta produção literária como excelente referência para temas relacionados ao Islã,  e não vemos motivos para retirar este parecer, independentemente de sua adesão ao grupo de Schuon, uma escolha, pensamos, relativa à individualidade do Sr. Nasr.

        Vale o mesmo para Rama Coomaraswamy, pois conhecemos deste autor livros que merecem consideração, assim como outros, cuja perpectiva cristã exclusivista infere reservas desde o  ponto de vista tradicional mais abrangente, digamos, com o qual nos identificamos. O que nos apontam a respeito deste autor, que teria se afastado do grupo de Schuon, não altera em nada nosso conceito sobre sua obra.

        Partidários de Julius Evola, por outro lado, nos censuram por não nivelá-lo ou colocá-lo (!) acima de Guénon. A estes, remetemos ao próprio Evola, que registrou em seus livros, mais de uma vez, o orgulho em ser um Kshatriya (poder temporal) e o reconhecimento  em  Guénon   de  um  Brahmane  (autoridade espiritual). Isto nos dispensa de maiores explicações. Mantemos nossa impressão parcialmente positiva   à Evola registrada na "apresentação" de nossa homepage.

        Acompanhamos de longe, porém documentados, vários episódios ocorridos, notadamente na França, envolvendo a memória de René Guénon; realizaram-se reuniões, debates e colóquios variados , de coloração marcadamente  acadêmica, com discussões intermináveis, disputas entre correntes, trocas de acusações dissimuladas e outras nem tanto, tudo isto com um saldo final, convenhamos, próximo ao medíocre.

           Impassível e  bem acima destes ruídos, permanece a autoridade impessoal da obra de René Guénon, atualíssima e atemporal,  silenciosa e eloqüente, poderosa e  inabalável,
viva como a própria Tradição, pois trata-se de uma expressão cristalina e fulgurante desta .
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(1) A introdução de Schuon ao livro "Ritos Sioux", publicada neste site, é testemunho do que afirmamos.


                                                                                
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