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"Você ainda acredita em democracia?"
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Instituto René Guénon de Estudos Tradicionais
Textos de
Luiz Pontual
        

        
Do you still
believe in Democracy?
Você ainda
acredita em democracia?
Capítulo IV
Se há lógica, há o
Princípio Único.

              No primeiro capítulo, desmascaramos e desmontamos o principal fundamento da ilusão democrática: o voto. Vimos que a maioria, isto é, a quantidade, não avaliza nem legitima qualquer tipo de governo. Demonstramos que a quantidade não pode ser superior à qualidade, pois tal hipótese seria ilógica.

                 Os “democratas”, não podendo refutar este argumento decisivo, se defendem de seu equivoco, que consiste em sobrepor a quantidade à qualidade, base do conceito do voto popular ou sufrágio universal, afirmando que “de fato, o sistema democrático tem muitas imperfeições, mas que, apesar de tudo, é o menos ruim que existe: é muito superior às ditaduras de esquerda ou direita, ou aos regimes intolerantes dos aiatolás”, como se não houvesse outros caminhos (1).

                 A mais incômoda “imperfeição” do sistema democrático refere-se  à mentira do voto quantitativo; a hipótese democrática é como uma “roda quadrada” e os “aperfeiçoamentos” (voto distrital, voto não obrigatório, etc) ao aplainamento horizontal e gradativo de cada uma de suas quatro faces, mantendo assim a “roda”  sempre quadrada, algo ilógico!

                 Resgatamos, na seqüência de nossas considerações, o verdadeiro significado e fundamento da doutrina oriental de castas, esclarecendo que se trata da expressão social da hierarquia natural existente entre os humanos, fruto da natureza própria de cada indivíduo; é algo inteiramente diverso das atuais classes “socioeconômicas”, divisão em que o peso preponderante é a riqueza material de cada segmento social, contando muito pouco e cada vez menos o aspecto dito cultural.

                A mediocridade, no sentido estrito do termo, mais que nunca, está “democratizada”. A imbecilidade é hoje o apanágio da maioria e não é de se admirar o “nível” de seus representantes no cenário político, que ostenta criaturas incrivelmente “notáveis”, como  um  Ronald  Reagan  ou um  George W. Bush, por exemplo, atores-marionetes secundários em seu melhor papel, como representantes máximos da democracia americana (2).

                Poderíamos apresentar uma vasta lista de primeiros-ministros envolvidos em corrupção, desde a Itália até o Japão. – Mas, para que lembrar os nomes de presidentes de repúblicas, senadores, deputados e vereadores das mais variadas espécies, envolvidos em falcatruas, mentiras e crimes de todo tipo? Falar sobre isto seria cansar nosso leitor, que já está farto desta sinistra e interminável galeria.

                Lembramos também que a hierarquia natural sempre foi respeitada em todas as formas tradicionais conhecidas, inclusive no Ocidente, até o fim da Idade Média, mais precisamente até o cisma protestante, que lançou as sementes do chamado mundo moderno. O protestantismo rompe com a hierarquia católica e atribui como critério da verdade o parecer subjetivo de cada um (o “livre- exame”) sobre a “única autoridade” remanescente, isto é, a tradução laica da Bíblia, feita por Lutero. Não é difícil conceber os resultados caóticos e desastrosos decorrentes desta “nova ordem”: novas seitas se multiplicaram  às centenas, e, já que “todos são iguais”, as sementes das ideologias ilógicas do socialismo, comunismo, feminismo e que tais estavam definitivamente lançadas.

                Chegamos assim a um ponto decisivo, isto é, à questão das religiões e das doutrinas orientais. “Deus está morto”, proclamou   Nietzsche,  do alto  da condição intelectual de quem morreu louco. A hipótese evolucionista de Darwin (3), hoje desmontada peça por peça pela própria comunidade dita científica, assim como a psicanálise (atualmente sequer reconhecida como “ciência experimental” pela comunidade acadêmica internacional), seria impensável sem a negação do Princípio Único de todas as coisas.

                 Este é o ponto decisivo. O homem moderno, racional, individualista, “independente” e “liberto” (“perdido” não seria um termo mais próprio?) das religiões, deveria contar com a lógica como ferramenta da verdade. A lógica, porém, é mais utilizada em investigações e discussões de ordem secundária, raramente ou nunca para examinar os pressupostos da ciência moderna. Para uma demonstração de lógica irretocável aplicada às questões essenciais da existência, apresentamos a seguir um resumo do magistral estudo “O Demiurgo”, de  René Guénon, que demonstra a necessária dependência de todas as coisas ao Princípio Único.



                                                                                    * * *


 
                      
Resumo do estudo "O Demiurgo", de René Guénon (4)



                                                       Como admitir que algo veio do nada?
                          Aceitar isso implicaria um absurdo e a imediata aniquilação de tudo o que existe:
                                       o  nada sendo ausência, como algo pode vir daí, sendo nada
(5)?
  
                                                                                  *
                                   Não pode haver o que não tenha princípio, mas, o que é o princípio?
                                                Não é o Principio Único de todas as coisas?

                                                                                  *
                          Se considerarmos o Universo Total, é evidente que  este   contém todas as coisas, 
                                                         pois as partes estão contidas no todo.
 
                                                                                  *
                                         O todo é necessariamente ilimitado, pois se houvesse limite,
                                                               o que estivesse além deste
                                     limite não estaria incluído no todo, e neste caso, não seria o todo.

                                                                                  *
                                 O que não tem limite pode ser chamado Infinito e, como  contém tudo,
                                                             é o Princípio de todas as coisas.
 
                                                                                  *
                          O Infinito é necessariamente Um, pois dois infinitos se excluiriam mutuamente.

                                                                                  *
                                     Resulta disso que há o Princípio Único de todas as coisas e este é
                                            o Princípio Perfeito, pois o Princípio não pode ser tal
                                             se não for Perfeito  (conjunto de todas as qualidades).

                                                                                  *

                                               O Perfeito é o Princípio Supremo e Causa Primeira.
                                        Contém todas as coisas em potência e produz todas as coisas.

                                                                                   
                                                                               * * *

Notas:

1.Todos os regimes políticos sob uma tradição autêntica são exemplares. Ver sobre este assunto, de René Guénon,
Autorité Spirituelle et Pouvoir Temporel , Paris 1984, Éditions Véga.
2.-Não tivemos recentemente outro ridículo espetáculo “democrático”  na Califórnia, com a eleição de  Arnold
"Exterminador" Schwazenegger vencendo heroicamente uma profissional do strip-tease?
3. Além de
TheTransformist Illusion, de Douglas Dewar, ver também  Darwin's Black Box, de  Michael J. Behe e Not by Chance, de Lee Spetner.
4.Publicado  na revista “La Gnose”, Paris, novembro de 1909 e reproduzido no livro  “Mélanges” (pp 9-25), Gallimard, Paris, 1976.
5.Segundo Lucrécio, citado por Guénon n’O Demiurgo:
“Ex nihilo nihil, ad nihilum nil posse reverti”.
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